sexta-feira, 26 de novembro de 2010

WALL.E


Já li em mais de uma resenha publicada na imprensa que, atualmente, os melhores trabalhos do Cinema estão sendo feitos na área da animação, seja na indústria voltada para o entretenimento de massas, seja no dito "mercado independente". Uns dizem que há esgotamento nos modos de narrar dos filmes em "carne e osso"; outros - com veneno - argumentam: numa época em que se tornou possível fazer quase tudo visualmente falando, graças aos recursos tecnológicos digitais , os efeitos especiais ocupam espaço desmedido nas produções e, nesse caso, é preferível ficar com os desenhos animados mesmo, mais vantajosos por não incluírem atores de 5ª categoria... Nesse ponto, não tenho opinião formada. Só sei dizer que WALL.E (WALL.E - direção: Andrew Stanton, 2008) foi um dos melhores filmes que pude assistir ultimamente. Seus primeiros 30 minutos são grandiosos.

Claro, é direcionado para crianças, mas todos sabemos que hoje em dia não é muito inteligente, nem lucrativo, produzir desenhos sem pensar também no público adulto. E se deixarmos de lado as mensagens "educativas" mais explícitas - enaltecer a reciclagem do lixo e a preservação ambiental, criticar o sedentarismo e a tecnofilia extremados, etc. - notaremos que é um filme a lidar com temas quase sempre melancólicos, como, por exemplo, a solidão e o envelhecimento. NOTA: Esses temas, a propósito, estão presentes em outras animações excelentes, de curta-metragem; Geri's game (com direção de Jan Pinkava, 1997) e Bunny (dirigido por Chris Wedge, 1998). Bunny é belissimamente triste; Geri's game, engraçadíssimo, de uma forma um tanto demente, devo acrescentar.

Não dou muita trela a quem proclama as "vantagens" do envelhecimento. Confesso que não vejo nenhuma. Mas reconheço que os velhos costumam ser obstinados (alguns diriam teimosos). E WALL.E é obstinado. Executa a mesma tarefa por centenas de anos, aparentemente sem se importar com a inutilidade de seu trabalho.

E o robô é extremamente solitário, tendo apenas a seu lado uma baratinha, que o acompanha naquele mundo vazio. Guarda cacarecos e bugigangas em casa (coisa de velho!) e, apesar de seus estoicismo, a solidão lhe pesa muito.

Para mim - e peço desculpas por minha pieguice - a sequência mais tocante do filme é quando WALL.E, a despeito da impossibilidade de se comunicar com EVE, a sonda que visita o planeta, após esta ter cumprido sua tarefa, fica ao lado dela durante um longo, longo tempo, sempre velando-a, sempre esperançoso.

A parceria bem sucedida entre Pixar e Disney, até aqui, foi muito rentável, comercialmente falando. E, de vez em quando, seus trabalhos conseguem deixar o espectador emocionado, como fiquei ao final de WALL.E.

BG de Hoje (duplo)

Falando em desenhos animados, um dos filmes que marcaram minha adolescência foi Uma cilada para Roger Rabbit. E uma das cenas mais inesquecíveis é aquela em que Jessica Rabbit canta Why don't you do right? A personagem foi dublada por Kathleen Turner, símbolo sexual nos anos 1980, mas quem interpreta a canção é outra atriz, Amy Irving, na época, esposa de Steven Spielberg, o produtor do filme.

E ao fazer a busca por essa cena, acabei encontrando este outro vídeo, de uma desconhecida, interpretando (e bem) a mesma canção.