"Mas não fiquem achando que eu acho que professor deve ler, e que aluno deve ler. Nada disso. Não se trata de dever. Leitura não é dever de ninguém. É um direito, isso sim, de todo cidadão, e por ele temos de lutar - isso sim, um dever. Até mesmo na guerrilha quotidiana da resistência miúda, fazendo questão de pegar livro na biblioteca, de levar livro para casa, de ler no ônibus, de dar livro de presente, de falar em livros com colegas e amigos, de desligar a tevê em troca de um livro na hora em que algo está chato (não é possível que todo mundo ache que nunca tem nada chato na televisão). E na estratégia mais ampla, frequentando livrarias nem que seja para folhear um livro e tirar uma casquinha, escrevendo para jornais e revistas para exigir mais espaço dedicado à literatura, cobrando dos candidatos a prefeito, vereador e deputado um compromisso público com o atendimento a esse direito em cada estado e município".
MACHADO, Ana Maria. Literatura: o direito a uma herança. In: _________. Texturas: sobre leituras e escritos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. p. 136
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
Sobre A montanha mágica ou A importância das notas de rodapé (I)
Durante o feriado do Carnaval, estava relendo um livro de que gosto muito - Texturas: sobre leituras e escritos, da grande Ana Maria Machado (Editora Nova Fronteira, 2001). E um dos textos que o compõem (Clássicos de todas as classes*) tem muito a ver com a experiência resultante de minha primeira (recente e única) leitura da volumosa obra A montanha mágica**, de Thomas Mann.
"O crítico e ensaísta inglês George Steiner" - escreve Ana Maria Machado - "assinala que até meados do século XX, no pós-guerra, os leitores dos livros compartiam um acervo comum de referências, a partir da Bíblia, da literatura greco-romana, de obras orientais como as Mil e uma noites, dos grandes clássicos medievais, renascentistas e modernos [...]. Qualquer escritor podia ter certeza de que, se por acaso se referisse a Catilina [o conspirador romano invectivado por Cícero] ou Adamastor [um dos titãs mitológicos, que aparece também como personagem n' Os Lusíadas], seus leitores saberiam do que se tratava. Havia um repertório clássico comum que permitia esse entendimento cúmplice".
O público leitor atual, entretanto, formou-se de maneira bem distinta. A escritora, relatando a experiência de apresentar Reinações de Narizinho para o neto, observa que muitas vezes foi preciso "fazer uma longa digressão e contar uma outra história, a cada momento do enredo, interrompendo as peripécias e cortando o ritmo do autor" para esclarecer determinadas passagens do texto de Monteiro Lobato.
Ana Maria Machado, constata, então que
"Hoje em dia, portanto, está desaparecendo essa certeza de que o leitor partilha com o autor um acervo básico de conhecimento dos clássicos. Assim, como Steiner observa, foram começando a aparecer notas aos pés de página nos livros, para explicar certas alusões e referências. A tal ponto que atualmente, diz ele, para ler a maioria das obras não-contemporâneas, em muitos casos seriam necessárias tantas notinhas explicativas que mais da metade da página ficaria comprometida tornando a leitura uma atividade penosa e arrastada, uma verdadeira corrida de obstáculos em câmara lenta".
E o que essas reflexões têm a ver com A montanha mágica? Observemos o excerto abaixo, uma fala do personagem Lodovico Settembrini, um dos pacientes do sanatório para tuberculosos Berghof e "guia" intelectual do jovem Hans Castorp, protagonista do livro:
" - Insisto com o senhor: vele pela sua dignidade! Seja orgulhoso e não se perca no ambiente estranho! Evite este atoleiro, esta ilha de Circe. O senhor não é bastante Ulisses para habitá-la impunemente. Acabará andando de quatro patas. Já está a ponto de se apoiar nas extremidades dianteiras. Daqui a pouco começará a grunhir. Cuidado!"
O personagem d'A montanha mágica faz aqui uma série de alusões à Odisseia, sobretudo ao canto X, cujo "tema" central são as desventuras de Ulisses e seus companheiros em sua primeira passagem pela ilha de Eeia, dominada pela feiticeira Circe, onde parte do grupo é transformada numa vara de porcos. Claro que, provavelmente, essas referências de Settembrini não complicarão muito a vida de um leitor razoavelmente informado, mesmo que este nunca tenha sequer corrido os olhos alguma vez pelo célebre poema de Homero. Entretanto, não se pode dizer o mesmo a respeito de diversas outras passagens do romance de Thomas Mann (inclusive um sem-número de falas do próprio Settembrini). Sente-se, durante a leitura, a necessidade de um certo apoio explicativo para atingir a melhor compreensão possível da obra - e não só em relação às citações literárias clássicas ou aos jogos intertextuais. Uma coisa resta óbvia: o leitor mediano contemporâneo (este blogueiro é um exemplo) definitivamente não está no mesmo nível de erudição do autor (a distância entre o primeiro e o segundo, sendo sincero, deve ser medida em anos-luz). Nesse caso, então, algumas notas de rodapé viriam a calhar. Mas - e a pergunta é crucial - como acrescentar tal recurso de edição/tradução numa obra notadamente robusta, com suas quase mil páginas de escrita meticulosa?
Prossigo com o assunto na próxima postagem.
Prossigo com o assunto na próxima postagem.
* MACHADO, Ana Maria. Clássicos de todas as classes. In: __________. Texturas: sobre leituras e escritos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. p. 138-148
** MANN, Thomas. A montanha mágica. 2 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000 [Tradução de Herbert Caro]
BG de Hoje
Outra morte recente bastante sentida no mundo do rock (mais até do que a de outro britânico, Lemmy Kilmister, citada no último BG) foi a de DAVID BOWIE, um verdadeiro gênio da música pop. Confesso, entretanto, que nunca fui um de seus ouvintes mais fiéis. O único disco que tive do artista até hoje foi o ... Ziggy Stardust... . Desse álbum extraio a canção de hoje, Moonage Daydream, com sua arrebatadora levada de guitarra, culminando com o solo monstruoso de Mick Ronson (o músico parecia possuído pelo capeta).
sexta-feira, 15 de abril de 2011
A Literatura como direito
"Ler literatura é uma forma de acesso a esse patrimônio [artístico, cultural e histórico representado pelas próprias obras literárias], confirma que está sendo reconhecido e respeitado o direito de cada cidadão a essa herança, atesta que não estamos nos deixando roubar. E nos insere numa família de leitores, com quem podemos trocar ideias e experiências e nos projetar para o futuro. Aceitar que numa sociedade podemos ter gente que nunca vai ter a menor oportunidade de ter acesso a uma leitura literária é uma forma perversa de compactuarmos com a exclusão. Não combina com quem pretende ser democrático".
Ana Maria Machado*
É quase impossível, para os leitores
- no sentido pleno dessa palavra -, deixar de falar sobre
aquilo que leem. Não nos contemos. Estamos sempre em busca de aliados,
outros que, como nós, indiquem seus périplos de leitura, tragam suas
impressões e preferências, ofereçam sua cultura livresca acumulada para
ser objeto de intercâmbio e com isso chegarmos a... Chegarmos a quê?
Não me importa agora.
Pensando
nos dissabores e percalços que fazem parte do dia-a-dia na escola
pública onde trabalho, decidi reler alguns textos cujas clareza e
serenidade (não obstante seu "chamado à ação") servem de estímulo para
não esmorecer. Falemos deles.
. . . . . .
Há mais de dez anos convivo com este artigo. Sempre volto às suas páginas com satisfação. Em Para que serve a literatura infantil? ** (disponível aqui),
Graça Paulino manda um elegante recado aos utilitaristas rasteiros (e -
que lástima! - como o ambiente escolar está infestado deles...).
"Quando pais ou professores do Ensino Fundamental perguntam 'afinal, que finalidade a leitura dessas historinhas pelas crianças pode ter?', as respostas não são simples, nem diretas".
Para os defensores da leitura literária, deter-se num bom livro, artisticamente elaborado, "não
é perda de tempo em nossa sociedade de hoje, em que a vida se faz de
enigmas e de rápidas transformações. A arte nos permite conhecer melhor
o existente, ao percebermos outras possibilidades de existir".
Mas, "diriam os 'práticos', arte para quê? É perda de tempo, é 'frescura' de gente desocupada".
Essa objeção dos "práticos" é poderosa, fora (e, infelizmente, também dentro) das escolas. Há algo a fazer?
"Imagino-me " - escreve Graça Paulino - "como professora, lendo esse poema [Ismália, de Alphonsus de Guimaraens, citado no artigo], junto com meus alunos de 4ª série. Apenas ler, e só continuar com o assunto se requisitada. Ridícula? Sinceramente, não sei. Quatro, com pessimismo, ou 14, na melhor das hipóteses, dos meus 40 alunos, participariam do encanto. Mas, se no início de cada aula, nós ( porque com o tempo surgiriam outros leitores de poemas, além de mim ), se gastássemos dois minutos para ler um poema, talvez no fim do ano, seriam mais quatro a prestar atenção".
Porém, não caberia à escola enfatizar a "leitura funcional, que se não dá dinheiro, pelo menos ajuda o cidadão-leitor a defender condições um pouco mais dignas de sobrevivência?"
A própria autora responde:
"Ora, funcional, na sociedade de amanhã [...] é impensável hoje, como se fosse algo já pronto... Na rapidez com que a tecnologia se move, corrermos atrás dela é inútil. Mais 'funcional', hoje, talvez seja mesmo esse despertar da sensibilidade para aquilo nunca visto ou previsto".
E, mais à frente, acrescenta: "O futuro? Nem a Deus nem ao computador pertence com exclusividade".
. . . . . .
A
partir de uma associação aparentemente inusitada (direitos humanos e
literatura) Antonio Candido elaborou uma palestra essencial (e um dos
seus escritos que mais me marcou). Em O direito à literatura *** (disponível aqui), o crítico literário faz a paradoxal observação (nem por isso menos verificável): "Todos sabemos que a nossa época é profundamente bárbara, embora se trate de uma barbárie ligada ao máximo de civilização".
Mesmo reconhecendo que "um traço sinistro do nosso tempo é saber que é possível a solução de tantos problemas e no entanto não se empenhar nela", o autor prossegue otimista, afirmando que "somos
a primeira era da história em que teoricamente é possível entrever uma
solução para as grandes desarmonias que geram a injustiça [...]"
A
fruição da arte deve ser arrolada na lista dos "bens fundamentais" aos
quais todos devem ter direito? Ler Literatura pode se equivaler, de
alguma forma, àquelas outras "necessidades profundas do ser humano", àquelas "necessidades
que não podem deixar de ser satisfeitas sob pena de
desorganização pessoal, ou pelo menos de frustração mutiladora?"
Para Candido,
"assim como não é possível haver equilíbrio psíquico sem o sonho
durante o sono, talvez não haja equilíbrio social sem a literatura [e a arte em geral]", pois "a literatura é o sonho acordado das civilizações".
Segundo ele, "toda
obra literária é antes de mais nada uma espécie de objeto, de objeto
construído; e é grande o poder humanizador desta construção, enquanto construção".
O fecho da palestra é quase uma convocação:
Recuperei o fôlego. Mas estou certo de que a acomodação e o absenteísmo de alguns colegas(?), além da agressividade e da indiferença desrespeitosa de um número significativo de estudantes vão esgotá-lo mais rápido do que eu desejaria.
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O fecho da palestra é quase uma convocação:
"Portanto, a luta pelos direitos humanos abrange a luta por um estado de coisas em que todos possam ter acesso aos diferentes níveis da cultura. A distinção entre cultura popular e cultura erudita não deve servir para justificar e manter uma separação iníqua, como se do ponto de vista cultural a sociedade fosse dividida em esferas incomunicáveis, dando lugar a dois tipos incomunicáveis de fruidores. Uma sociedade justa pressupõe o respeito dos direitos humanos, e a fruição da arte e da literatura em todas as modalidades e em todos os níveis é um direito inalienável".
. . . . . .
Recuperei o fôlego. Mas estou certo de que a acomodação e o absenteísmo de alguns colegas(?), além da agressividade e da indiferença desrespeitosa de um número significativo de estudantes vão esgotá-lo mais rápido do que eu desejaria.
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* MACHADO, Ana Maria. Literatura - o direito a uma herança. In: __________. Texturas: sobre leitura e escritos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001, p. 126-137
** PAULINO, Graça. Para que serve a literatura infantil? Presença Pedagógica, Belo Horizonte, v. 5, n. 25, jan./fev. 1999, p. 51-57
*** CANDIDO, Antonio. O direito à literatura. In:__________. Vários escritos. 3 ed. rev. ampl. São Paulo: Duas Cidades, 1995 [a palestra foi proferida em 1988]
BG de Hoje
DAVE MATTHEWS, VINCE GILL E STING, num tributo aos Beatles, cantando I saw her standing there.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
"Todos têm a vidinha deles" (4)
No encerramento da postagem anterior escrevi o seguinte:
Diante deste cenário de extremo particularismo e concentração no círculo privado da existência - que gera, a meu ver, consequências danosas, entre elas, maior intolerância e enfraquecimento de vínculos de solidariedade suprafamiliar - acho que o ato de ler Literatura, por incrível que pareça, pode servir de atenuante.
Tentarei justificar esse argumento valendo-me de dois ótimos escritores: Luis Fernando Verissimo e Ana Maria Machado.
Em uma crônica apropriadamente intitulada Perigo*, Verissimo fala daqueles livros "que ensinam as pessoas a fazer sucesso". Sem usar o termo, refere-se a boa parte dos manuais chamados de autoajuda. Para o escritor gaúcho, esses livros
Cresce a quantidade de "vencedores" , "numa sociedade em que as chances de vitória são claramente limitadas a quem tem pistolão e o topo já está tomado". Todas estas pessoas, anabolizadas com autoestima e autoconfiança muito acima dos níveis tolerados pela Organização Mundial de Saúde, circulam sempre se julgando muito especiais. Ou seja, mais um exemplo dessa hipertrofia da vida privada e do eu de que estamos falando. Verissimo percebe nisso tudo um fator "desagregador": "As pessoas com controle sobre sua própria vida são geralmente as que nos empurram, buzinam atrás de nós no trânsito e furam a fila do cinema".
Com seu humor característico, o escritor adverte que tudo isso pode, num extremo, chegar a atos violentos; para evitá-los, sugere que as editoras passem a publicar livros que
Ana Maria Machado**, por seu turno, argumenta que a Literatura permite uma melhor compreensão do outro, e predispõe-nos para a capacidade de negociar, para as tentativas de acordo, para a tolerância:
A mesma autora observa também que
Para "curar" as limitações dos pontos de vista circunscritos a nossas "vidinhas", recomendam-se doses de Literatura, três vezes ao dia, antes ou depois das refeições, a critério do paciente...
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* VERISSIMO, Luis Fernando. A eterna privação do zagueiro absoluto: as melhores crônicas de futebol, cinema e literatura. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001
Diante deste cenário de extremo particularismo e concentração no círculo privado da existência - que gera, a meu ver, consequências danosas, entre elas, maior intolerância e enfraquecimento de vínculos de solidariedade suprafamiliar - acho que o ato de ler Literatura, por incrível que pareça, pode servir de atenuante.
Tentarei justificar esse argumento valendo-me de dois ótimos escritores: Luis Fernando Verissimo e Ana Maria Machado.
Em uma crônica apropriadamente intitulada Perigo*, Verissimo fala daqueles livros "que ensinam as pessoas a fazer sucesso". Sem usar o termo, refere-se a boa parte dos manuais chamados de autoajuda. Para o escritor gaúcho, esses livros
"[...] trazem um risco que não está sendo devidamente analisado. São livros persuasivos e eficientes que chegam a um número cada vez maior de leitores, convencendo-os de que eles são vencedores e de que nada pode detê-los. Mostram as pessoas como otimizar seu potencial para o sucesso, como adquirir autoconfiança e controle sobre suas vidas, como impor sua vontade aos outros e chegar ao topo."
Cresce a quantidade de "vencedores" , "numa sociedade em que as chances de vitória são claramente limitadas a quem tem pistolão e o topo já está tomado". Todas estas pessoas, anabolizadas com autoestima e autoconfiança muito acima dos níveis tolerados pela Organização Mundial de Saúde, circulam sempre se julgando muito especiais. Ou seja, mais um exemplo dessa hipertrofia da vida privada e do eu de que estamos falando. Verissimo percebe nisso tudo um fator "desagregador": "As pessoas com controle sobre sua própria vida são geralmente as que nos empurram, buzinam atrás de nós no trânsito e furam a fila do cinema".
Com seu humor característico, o escritor adverte que tudo isso pode, num extremo, chegar a atos violentos; para evitá-los, sugere que as editoras passem a publicar livros que
"[...] levem as pessoas a reexaminar sua recém-conquistada certeza de vitória e a pensar se ela não é um pouco irrealista, se um empate não seria suficiente. Livros chamados, por exemplo, Você é pior do que pensa, mostrariam que qualquer melhora na opinião que temos de nós mesmos é sempre comprometida pela falta de objetividade e provavelmente é um engano. Haveria capítulos com títulos como Sair da cama de manhã: isto é realmente necessário?, Dez razões pelas quais nada vale a pena."
Ana Maria Machado**, por seu turno, argumenta que a Literatura permite uma melhor compreensão do outro, e predispõe-nos para a capacidade de negociar, para as tentativas de acordo, para a tolerância:"Neste sentido é que costumo dizer que ler ficção é um ato político, porque, assim como a poesia, também os romances e contos (e mais os filmes, as peças, as novelas) nos obrigam a entrar na pele de um outro e entender seus motivos, nos acostumando a uma aceitação intrínseca da diversidade".
A mesma autora observa também que
"Ler literatura, livros que levem a um esforço de decifração, além de ser um prazer, é um exercício de pensar, analisar, criticar. Um ato de resistência cultural. Perguntar ' para onde queremos ir? ' e ' como ' pressupõe uma recusa do estereótipo e uma aposta na invenção. Pelo menos, uma certa curiosidade diante de uma opinião que não é exatamente igual à nossa - e o benefício da dúvida, sem a convicção do monopólio da verdade".
Para "curar" as limitações dos pontos de vista circunscritos a nossas "vidinhas", recomendam-se doses de Literatura, três vezes ao dia, antes ou depois das refeições, a critério do paciente...
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** MACHADO, Ana Maria. Texturas: sobre leituras e escritos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
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