A seção mais bacana da revista Carta Capital, acho eu, chama-se Blogs do Além.
Assinada por Vitor Knijnik, a página traz "postagens" de gente morta
(essas sim, verdadeiras celebridades), tudo feito com ótimas e
engraçadas sacadas. Divirto-me lendo principalmente as informações do
"Perfil". Por exemplo, este do escritor Jack Kerouak (edição de
23/02/11):
"Escritor-símbolo
da Beat Generation. Se quiser saber mais sobre mim, me dê um pouco de
benzedrina e um litro de gim e nunca mais paro pra te contar".
Ou este outro, descrevendo a "homepage" de Luz del Fuego (edição de 16/03/11):
"Um
lugar onde a cobra vai fumar. Ou seja, esse é um ambiente aberto e sem
toldo. Não quero problemas com os fiscais da prefeitura".
No texto Eu quero ter um zilhão de amigos e bem mais forte poder governar, "postado" por ninguém menos que Alexandre, o Grande (edição de 02/03/11), pode-se ler:
"Nesse
momento, muitos dos lugares que estiveram sob meu poder são palcos de
revoltas populares, potencializadas pelas redes sociais. Leio que
comunidades rebeldes não estão organizadas em torno de grandes líderes,
de bandeiras ideológicas ou religiosas. Parece que o pessoal quer mesmo
é emprego, dinheiro no bolso, sinal de Wi Fi estável e uma senha fácil
de decorar".
O ex-pupilo de Aristóteles sugere então, a essas localidades, a adoção da "democracia facebuquiana":
"Na
democracia facebuquiana, todos seriam obrigados a aceitar como amigo
todo e qualquer cidadão de seu país. Nem aquele cunhado que lhe deve
dinheiro poderia ser ignorado. De tal forma que qualquer indivíduo
poderia propor uma nova lei ou emenda. As votações seriam simples, no
esquema curtir ou deixar de curtir. As que tivessem mais curtir obviamente seriam aprovadas".
(Outros "blogueiros-defuntos" podem ser encontrados em www.blogsdoalem.com.br)
O
negócio funciona porque, junto com a criatividade de Knijnik, o leitor
reconhece prontamente um tipo de organização de texto - o blog -, com suas características gráficas específicas, comicamente "desvirtuadas" e exploradas pelo colunista de Carta Capital.
Numa postagem do ano passado (ver Blogs: entre a egolatria e o rancor),
defendi que o blog é um gênero textual. Boa parte dos
internautas/leitores está familiarizada com sua modelagem e outros
tantos usuários da Web acabam criando e mantendo seu próprio "lugar" na
blogosfera.
Entretanto, tenho lido e ouvido por aí que estes sites pessoais simplificados, diários virtuais, páginas de opinião
(ou qualquer outra definição que queiram dar) estão perdendo terreno
para novas formas de comunicação via computador, tornando-se cada vez
mais impopulares.
O
que há com os blogs? Já estão obsoletos e serão substituídos pelo que
se escreve no Twitter ou noutras redes sociais? Há uma "crise de
leitura" na blogosfera como, supostamente (e guardando as devidas
proporções) haveria na leitura de livros? Os blogueiros estão
descuidando da pena, digo, do teclado? O leitor já está de saco cheio?
Ler (ou escrever) postagens é uma chatice?
Retomo o assunto na próxima postagem.
BG de Hoje
Algumas (boas) cantoras, infelizmente, são sempre acusadas de serem somente "crias" dos produtores musicais. Caso de Zélia Duncan (apenas para citar um exemplo brasileiro) e Amy Winehouse (mundialmente conhecida, claro). ALANIS MORISSETTE também carregou a pecha. Em 1995, comprei o disco Jagged Little Pill, principalmente por causa de Hand in my pocket, melodia e letra simples, que gosto de cantar em casa, sozinho. Mas a melhor do álbum, para mim, continua sendo Wake up. OBS. No vídeo abaixo, a artista canadense até se aventura a tocar guitarra no final da apresentação!