"O capitalismo acelera diante de crises porque é um sistema cuja racionalidade está baseada na maximização de interesses individuais, acrescido da ilusão de que tal maximização produziria ao final a riqueza comum. Ou seja, cada um trabalha para si, tentando vencer o outro em uma relação constante de concorrência. Se todo mundo trabalhar para si mesmo, tentando sempre vencer concorrentes, o progresso acontecerá e a riqueza comum será produzida.
Isso é o que costuma se chamar de 'mão invisível do mercado'. Mas seria o caso de lembrar que o capitalismo nunca foi concorrencial, essa é só uma das falácias que ele procura naturalizar. O capitalismo sempre foi monopolista, seu livre-comércio sempre foi defendido quando o comerciante mais forte, quando os países de capitalismo mais agressivo, tinham certeza de que conseguiriam impor seus interesses aos demais.Mas gostaria de insistir em outro ponto, a saber, do ponto de vista dos interesses individuais, não há razão alguma para eu não aproveitar crises e intensificar minha extração de lucro, assim como minha constituição de monopólios. Por que eu deveria me preocupar com o estado do meio ambiente em cinquenta anos se em cinquenta anos estarei morto? Utilizar a maximização de interesses individuais como padrão de validade equivale a implodir o tempo social organizando toda racionalidade do processo de produção a partir da maximização dos interesses do presente. E de nada adianta imaginar que tais exigências do presente seriam limitadas pelo 'estado do mundo que deixarei aos meus filhos'. Certamente, não será do amor do capitalista por seus filhos e filhas que podemos esperar alguma forma de freio de emergência contra o aprofundamento das crises". *
* Vladimir SAFATLE, na introdução da nova edição de seu livro A esquerda que não teme dizer seu nome. Ainda não comprei um exemplar (está na lista de títulos que, espero, terei condições de começar a adquirir a partir de junho), mas esse texto foi reproduzido no site A Terra é redonda, disponível aqui.

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