"Só no completo silêncio e na total passividade pode alguém ocultar quem é, mas seu desvelamento quase nunca pode ser alcançado como um propósito deliberado, como se a pessoa possuísse e pudesse dispor desse 'quem' do mesmo modo como possui e pode dispor de suas qualidades. Pelo contrário, é quase certo que o 'quem', que aparece tão clara e inconfundivelmente para os outros, permanece oculto para a própria pessoa, à semelhança do daimon
, na religião grega, que acompanha cada homem durante toda sua vida sempre observando por detrás, por cima de seus ombros, de sorte que só era visível para aqueles que ele encontrava". *
* ARENDT, Hannah. A condição humana. 11 ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2013. [Tradução de Roberto Barroso]. p. 224-225